EXPOARI em Ariquemes ‘O Grande’ rodeio com muitas histórias

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Estive trabalhando na 32ª EXPOARI em Ariquemes, no último final de semana, onde o competidor Rodrigo Guedes, de Tangará da Serra (MT), foi o grande campeão. Ariquemes é conhecido como O GRANDE rodeio do Norte do País.

Vi por lá um rodeio muito organizado, e vou tentar contar um pouco dos bastidores. E foi voltando para casa que comecei a lembrar de tudo e resolvi escrever. Acompanhe!

Todo relado de viagem começa com uma história de ódio, entre eu e o despertador do celular. Ele sempre dá pontapé inicial, pena que nem sempre meu corpo responde a essa motivação.

Sendo assim, as 6:30h do dia 03 de agosto horário local ele, despertador, fez seu trabalho me acordando. Eu havia deitado ás 3:30h, ou seja, estava exausto.

Desci para o saguão do hotel. Quarenta minutos mais tarde, a Van que me levaria ao aeroporto de Porto Velho chegou. Ela (van) parou para abastecer na central onde descemos para fazer o pagamento na agência de turismo.

Leonardo “Lacraia” coordenador de arena e locutor da prova do Team Roping (Laço em Dupla) Rony Fernandes chegaram logo na sequência e entraram no mesmo veículo e, no estilo “Galera do Fundão” viemos no último banco, conversando, assistindo um filme, porém o cansaço bateu o sono chegou, dormimos e logo estávamos em Porto Velho.

Na fila sala de embarque dois garotos cariocas que vieram para o evento em Ariquemes, reconheceram Lacraia, que logo em seguida foi embora para Goiás, Roni e eu pegaríamos a o mesmo voo com destino a Cuiabá e eu, até Maringá. Ficamos batendo papo, o avião atrasou 20 minutos, mas chegou, hora de partir.

O avião subiu e fiquei lembrando do que havia acontecido. Começando pelo domingo, último dia, que foi marcado por muita tensão no fundo dos bretes. Apenas duas montarias separavam alguém de R$30 mil reais.

Mantendo o protocolo até aquele momento, o líder caiu, logo no início da semifinal, e não foi só ele. A cada tombo a certeza que a esperança dos trinta mil reais havia acabado.

MESA DE APOSTAS

Nos bastidores, rola uma disputa a parte entre os competidores do Norte, que são convidados por Tião Jiboia diretor do rodeio, e do Sul e Sudeste, convidados do “Carioca” juiz de rodeio que é responsável para levar um ônibus com os competidores.

Eles ficam o rodeio todo sentados na mesma mesa conversando e claro, comemorando o desempenho dos seus competidores, ou dando aquele risadinha como o time rival não vai bem.

É a sexta vez que isso acontece e o Carioca estava ganhando de 3 X 2. No início da semifinal, os convidados de cariosa lideravam, entre os primeiros da lista a maioria era dele.

Porém, o rodeio que sempre gosto de frisar que, não tem roteiro deu uma virada e grande e na final, entraram quatro competidores de Tião Jiboia e um de Carioca, nessa hora encostei na mesa perguntei ao Tião Jiboia: “Como está a disputa entre vocês?” Pronto. Dei o Start para a discussão (De forma sadia é claro). Porém até aquele momento, havia ainda possibilidade de Carioca inverter o jogo, afinal o quesito final da aposta deles é de onde é o campeão, se é do norte ou sul/sudeste.

VOLTANDO AO AVIÃO

O serviço de vendas passou e um senhor de cabelo branco estava ao meio lado pediu uma cerveja, achei que podia fazer o mesmo e fiz, uma ‘Geladinha’ caia bem na ocasião (calor).

Aquele senhor ia até Porto Alegre e vinha de Manaus. E eu, achando que minhas escalas eram muitas, ele e sua família teriam muito mais emoção entre pousos e decolagens.

UMA LIÇÃO EM OITO SEGUNDOS

Falando em emoção, o voo continuou e as lembranças também, voltei a semifinal onde Umberto Jr narrou a montaria de Américo Antônio, de Ariquemes, o competidor que tem uma deficiência no braço e irá participar do Desafio do Bem em Barretos em Prol ao Hospital de Câncer, mas esta história merece uma atenção exclusiva, em outra hora volto a falar sobre ele.

O que posso dizer que foi um momento muito emocionante esta montaria, de verdade eu senti uma vontade descontrolada de chorar, as lágrimas não saíram, porém mentalmente eu acredito que chorei e muito.

Vendo aquele público vibrando com o ‘Prata da Casa’ vencendo seu touro, ele é um exemplo que mesmo com dificuldades podemos ir além. Em poucos segundos refleti na vida, e percebi que as coisas que reclamo são muito pequenas.  Uma lição em oito segundos.

LAÇANDO UMA MOTO ZERO KM

A semifinal acabou e veio a prova de laço. A prova mesmo aconteceu no sábado, mas as quinze melhores médias voltaram no domingo no que eles chamam de apresentação que valia uma moto zero KM.

Diego e Alemão de Cacoal (RO), não vacilaram, e não tomaram vaias. Sim, o comentarista Esnar Ribeiro, em uma brincadeira, falou para eles, laçadores, que quem errasse ia tomar vaia.

Diego e Alemão foram ágeis e literalmente amarram uma moto pelos dois pés.

SEM ESCOLHA, MAS COM SORTE

O competidor líder até aquele momento, Rodrigo Guedes, achava que teria a opção de escolha, em sua cabeça, ele iria escolher o touro “Fuleco”  da Cia SS, quando chegou na arena, veio a decepção, não era escolha e sim sorteio. Ai entra a ‘sorte’ de campeão, ele sorteou “Fuleco”.

PÚBLICO X COMPETIDORES VISITANTES

Assim que o sorteio terminou, o locutor Almir Cambra que já havia feito cinco montarias na semifinal, voltou para fazer a disputa final.

E já na primeira montaria, Zaqueu Godoy, de Novo Horizonte (RO), levou o público ao delírio, assumindo a liderança. Ele era o único competidor de Rondônia e marcou 89,75 pontos.

O próximo competidor, era Acreano, José Taison Freitas, ele também venceu seu touro, mas sua nota não foi suficiente para ultrapassar a nota de Zaqueu.

Nesse momento, Esnar Ribeiro, vendeu a ideia que, se todo mundo caísse o título ficava na Rondônia. Começava ali, uma disputa entre os competidores e o público.

 Ramon de Lima, outro competidor do Acre foi o próximo, o touro quase o derruba na saída, ele reposicionou, mas não conseguiu, foi ao solo e, senti uma vibração da arquibancada.

José Carlos dos Santos, de Laranjeiras, no Sergipe veio na sequência, saiu bem, o touro foi em direção a arena, Almir Cambra esticou a garganta na narração e disse “O touro pulou no Altooooooo” e o competidor foi ao solo. Nesse momento parecia que havia saído um gol do Brasil dentro do Maracanã. O possibilidade do título ficar em Rondônia estava bem ali, apenas oito segundos

O TOURO QUE ESCAPOU DA MORTE E CONQUISTOU A FAMA

A história da última montaria tem um personagem famoso, além do competidor. Touro “Fuleco” da Cia SS do Tião Jiboia, é muito famoso na Rondônia, o vídeo que postei dele, na quinta-feira nas minhas redes sociais rendeu muitos comentários e elogios.

Mas a vida deste animal estava a poucas horas de acabar quando ele foi descoberto. O Diretor de Rodeio e tropeiro, Tião Jiboia é pecuarista, criador e comprador de gado, inclusive presta serviços de comprar para um grande frigorífico.

Certo dia, acompanhando a matança de uma boiada de um cliente, olhou na mangueira do Frigorífico e viu “Fuleco” e pediu para tirar ele do lote, conversou com seu dono e finalizou a compra. “Eu olhei ele e pensei, esse touro pode dar um bom touro” Explica Tião.

Após ser salvo da morte, “Fuleco” foi treinado, experimentado e, não negou a intuição do dono. Foi montado apenas quatro vezes e já estreou na EXPOARI de 2014.

Daí em diante só sucesso, quando não derruba, oferece boas notas. É um touro de show. “Ele não falha, faz sempre a mesma coisa e sempre dando espetáculo” Explica Jhonatan Silvério, filho de Tião Jibóia.

Era a última montaria da EXPOARI 2015 e, eu que sempre fiquei no meu cantinho registrando os vídeos, quebrei o protocolo e fui lá no meio da arena.

Me posicionei e Almir Cambra olhou para trás e ficou surpreso por eu estar ali. Olhou para mim e disse: “Estou sentindo que vou jogar meu chapéu nessa montaria, filma ai” Ele faz isso sempre que a montaria é boa.

Eu estava tão ansioso que, comecei a filmar pelo menos um minuto antes, a porteira abriu e “Fuleco” fez seu trabalho, subiu alto, tentou (sem sucesso) derrubar Rodrigo Guedes que não vacilou e o chapéu de Almir Cambra voou alto. Era o campeão. E a disputa entre Tião Jiboia e Carioca ficou empatada em 3 X 3.

 FINALIZANDO A MISSÃO E ATERRERIZANDO EM MARINGÁ

Atividades encerradas na arena o cerimonial de abertura começou a ser montado, eu sabendo que o campeão daria um série de entrevistas, corri ao fundo dos bretes, e o entrevistei.

Ele ainda estava limpando sua corda de montaria quando cheguei. Perguntei a ele sobre o que faria com o dinheiro R$30.000,00. “Minha esposa tá gravida” Ou seja, boa parte já tem destino certo. Fraudas (Risos)

Falando em destino, o meu trabalho ali acabava. Ali na arena é claro, e como sempre comecei minha correria da madrugada.

Passei pela churrasqueira, acontecia o movimento diário, menos intenso, desta vez. A sim, se você não sabe, todos os dias tinha um churrasco para os competidores e prestadores de serviço.

 No escritório, os competidores recebiam seus pagamentos. Subi meus vídeos, e retornei a churrasqueira, percebi que muitos haviam ido embora inclusive minhas caronas.

Pensei em voz alta: “Preciso pegar um taxi”. O Jhonatan Silvério, diretor de rodeio disse: “Te dou uma carona” E em uma conversa boa fomos até o hotel, conversando sobre o rodeio e tudo que aconteceu.

Cheguei ao hotel perto 2:00h coloquei os links no meu site e fui dormir, colocando o despertador com a missão de me acordar as 6:30h.

O avião aterrissou em Maringá, no horário, assim como o rodeio da EXPOARI, finalizava minha viagem e minha primeira cobertura esportiva na Rondônia, no Ariquemes O GRANDE, grande em tamanho, em premiação, em cumprir horário, em tanta coisa e, a viagem foi grande mas, a satisfação também foi muito grande.

Resultados completos vídeos e entrevistas: http://bit.ly/EXPOARI2015
Por Eugênio José MTB:67.231/SP

contato@eugeniojose.com.br

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