A vida de quem Salva-Vidas

Bullfighters ou Salva-Vidas como são conhecidos, se tornaram indispensáveis quando o assunto é rodeio. Eles atuam dentro da arena da primeira até a última montaria, seu trabalho especificamente é cuidar para que o cowboy atleta não se machuque ao sair de uma montaria, eles também conseguem incentivar o touro em seu desenvolvimento durante os 8 segundos, além de não deixar que o cowboy se torne alvo para o touro que está solto dentro da arena.

“O cowboy balança a cabeça a porteira se abre é dada a largada, o cronômetro dispara e durante a montaria os olhares dos salva-vidas estão fixos a todos os movimentos do animal e do competidor que o monta. Os oitos segundos não terminam e o competidor cai do touro, a mão do competidor está presa na corda americana e o mesmo não consegue se livrar. É neste momento que os salva-vidas não pensam, na verdade não há tempo para pensar, a dupla ou trio, que estiver em conjunto dentro da arena se une e livra o cowboy. ”

Quem já esteve em um Rodeio, é quase certeza que presenciou momentos como o citado acima, ou então viu o salva-vidas driblar os touros com emocionantes performances, muitas vezes simples aos olhos de quem está de fora. Mas, e ali dentro da arena durante as montarias o que acontece, qual a interação entre eles. E depois quando vão para casa e logo já partem para outro rodeio?

É justamente isso o que você vai acompanhar agora, uma entrevista produzida pela Rodeio Magazine com dois dos mais renomados Salva-vidas do esporte Rodeio, com vocês Gaúchinho e Péssimo!

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Salva-Vidas – Gaúchinho e Péssimo

R.M. Quem são os Salva-vidas fora da arena?

Gaúchinho. Lucas Belli Teodoro, de 27 anos. Fora da arena, é uma pessoa do bem e de Deus. Sou guerreiro, batalhador e determinado. Apaixonado pelo meu trabalho e por viver em contato com os animais. Amo minha família e procuro sempre estar próximo a eles.

Péssimo. Wagner José Miqueli, de 32 anos. Fora da arena continuo sendo uma pessoa humilde, simples que cuida da família e trabalha em seu sitio dia a dia.

 

R.M. O que é para vocês ser Salva-vidas de Rodeio?

Gaúchinho. Ser Salva-Vidas de rodeio é o que eu amo fazer. É um momento que não penso em mais nada, há não ser no meu trabalho ali dentro da arena. Eu me sinto como uma ferramenta de Deus quando estou dentro de uma arena por poder estar livrando os peões do perigo.

Péssimo. Isso é tudo para mim, poder ajudar meus amigos e salvá-los do perigo. É o que eu mais amo fazer.

 

R.M. De onde partiu o sonho de trabalhar no rodeio?

Gaúchinho. O rodeio surgiu na minha vida, desde os meus 6 anos de idade mais ou menos. Meu pai era organizador de rodeio e eu tinha convivência com o pessoal. Além disso um tio tinha cavalos de rodeio na época. Cresci mais um pouco e tive vontade de ser peão de rodeio, mas no meio do caminho conheci um Salva-Vidas. Recebi um convite dele para entrar na arena pela primeira vez, tinha apenas 13 anos de idade. E até hoje não parei.

Péssimo. Esse sonho veio através da lida das fazendas e a paixão de trabalhar com os animais.

 

R.M. Antigamente as equipes eram conhecidas como Palhaços Salva-vidas, hoje alguns ainda pintam seus rostos, mas já não usam roupas tão espalhafatosas. Por que ocorreu esta mudança?

Gaúchinho.  Essa mudança ocorreu com a evolução do rodeio em um todo, para poder separar a função dos Salva-Vidas e dos animadores de plateia. Da mesma forma que surgiram os campeonatos. Mas ainda tem Salva-Vidas que pintam os rostos e usam as roupas espalhafatosas e nem por isso deixam de ser bons. Isso é o estilo próprio de cada um, uma personalidade. Este é o meu ponto de vista.

Péssimo. Acredito que veio pra profissionalizar o rodeio. Porque antes palhaço animador de arena e salva-vidas era a mesma coisa, mas hoje isso se dividiu. Cada um tem que se preocupar com uma ação na arena.  E isso é bom para fortalecer as classes e para que cada um se profissionalize cada dia mais.

 

R.M. Algumas pessoas chamam os Salva-vidas de anjos da arena, como você sente quando vê o retorno das pessoas que o assiste trabalhar?

Gaúchinho. Me sinto abençoado em poder estar ajudando o próximo e ser chamado de anjo da arena. Quando recebo um elogio sobre o meu trabalho ou reconhecimento de alguém fico orgulhoso de mim mesmo. Por ver que todas as minas lutas estão sendo recompensadas.

Péssimo.Eu me vejo como um anjo sim, porque quando consigo fazer um bom trabalho salvando e ajudando meus amigos muitas pessoas elogiam, e não existe nada que pague isso. Este retorno do público e amigos me deixa muitas vezes sem palavras, acho que só mesmo quem está nessa profissão consegue entender.

 

R.M. Qual a maior dificuldade que você já enfrentou dentro da arena?

Gaúchinho. Quando eu machuquei o joelho no primeiro dia de rodeio e por não ter outra pessoa para me substituir tive que trabalhar mais 4 dias com o joelho machucado.

Péssimo. Foi no ano de 2013, na cidade Jaguariúna, um touro atingiu a minha boca e acabei fraturando alguns dentes. Naquele momento eu achei que nunca mais iria participar de um rodeio. Mas com essa dificuldade aprendi que posso cair e me levantar de novo com a ajuda de Deus que me abençoa sempre.

 

R.M. Qual seu objetivo como Salva-Vidas?

Gaúchinho. Meu objetivo é chegar a uma final Mundial da PBR em Las Vegas.

Péssimo. O maior objetivo hoje é sempre trabalhar bem e desempenhar a minha função dentro da arena da melhor maneira possível. Mas o  sonho é de chegar a uma final Mundial da PBR em Las Vegas.

 

R.M. Gostaria que você deixasse um recado para o pessoal que acompanha seu trabalho, tanto dentro das arenas quanto no meio virtual.

Gaúchinho. Quero agradecer o carinho de todos os que me acompanham e que gostam do meu trabalho. E deixar uma mensagem para aqueles que sonham em ser um Salva-Vidas ou Peão de Rodeio. Que você nunca desista de seus sonhos perante as dificuldades que aparecem pelos caminhos. “Se você pensa que é um derrotado, você será um derrotado, mesmo que queira vencer mas pensa que não vai conseguir, a vitória não sorri para você.” (Filosofia do sucesso). Pensamento positivo sempre e você chega onde sempre sonhou. Que Deus abençoe a todos.

Péssimo. Gostaria de agradecer a todos que me seguem no Instagram, no Facebook e principalmente aqueles que sempre que podem estão nos rodeios. São essas pessoas que dão força que elogiam o meu trabalho, e isso me faz seguir em frente e trabalhar com perfeição!

 

Vale ressaltar que em 2014 foi criada a ABSVR (Associação Brasileira dos Salva-Vidas de Rodeio), que busca uma melhor valorização desta classe e mostra vantagens para quem é associado como: seguro de vida (com cobertura de despesas hospitalares e plano de saúde) mídia e financeira. A ABSVR tem o propósito de mostrar a importância dos Salva-Vidas dentro de uma arena. E lutar por melhorias para a classe.

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