A modalidade “Cutiano”

O Rodeio no Brasil está prestes a se tornar Patrimônio Cultural, com isso podemos garantir que uma das culturas mais antigas do Brasil, as montarias em cavalos no estilo cutiano, permaneçam vivas.

O rodeio em Cavalos no estilo cutiano foi criado no Brasil, este estilo de montarias foi precursor e deu origem ao rodeio brasileiro. No início as montarias aconteciam em comitivas que levavam as boiadas de um canto ao outro do país, por meio disso, os peões que viviam na lida montavam os animais xucros para amansá-los ou para o próprio entretenimento e também de toda a comitiva que assistia a proeza dos companheiros. Alguns até duelavam entre si disputando quem se desempenhava melhor em cima do animal.

A partir desses encontros surgiu a primeira Festa do Peão, na cidade de Barretos ano de 1956, o primeiro campeão do evento nesta modalidade foi Aníbal de Araújo.

De lá para cá, o rodeio e suas modalidades sofreram mudanças, como o implemento de regras para as montarias por exemplo, regras estas que priorizam a saúde e o desenvolvimento do animal, bem como a performance do competidor.

As montarias em cavalos no estilo cutiano perderam um pouco de sua força a partir dos anos 90, quando as montarias em touros se tornaram afamadas no país.

Atualmente alguns eventos priorizam somente um estilo de montaria, muitas vezes por conta do alto valor gasto com a contratação dos animais. Então, acabam priorizando as contratações de touros.

Para contarmos um pouco mais do que são as montarias em cavalos no estilo cutiano, a Rodeio Magazine convidou o atual campeão do tradicional Rodeio de Barretos, Paulo Henrique Baesso.

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Paulo Henrique Baesso, segurando a fivela de Campeão da 60ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos 2015.

 

RM. Por um tempo as montarias em cavalos quase se perderam, mas perece que de 2013 pra cá já vimos mais essa modalidade nos rodeios. Prova disso é a busca por “novos talentos no cutiano” que acontece em Barretos. Você acredita que esta, a sua categoria é menos favorecida nos rodeios?

PH. Por um tempo essa modalidade ficou esquecida mesmo, muitos rodeios deixaram de fazer esse estilo de competição e optaram por fazer somente montarias em touros. Mas como você disse vem voltando e com isso nós profissionais do meio, resolvemos nos renovar e nos reciclar, estávamos muito atrasados, foi onde procuramos dar a volta por cima para conseguir nos igualar aos profissionais do rodeio em touros. Bem como as tropas que estão melhorando e renovando seus animais a cada dia.

RM. O que falta para a categoria cutiano?

PH. Falta mais ajuda financeira, as comissões tem que olhar com mais carinho para a nossa modalidade. Muitos falam que deixaram de colocar a modalidade cutiano em suas festas, por ser um rodeio caro e que não tem qualidade. Mas isso é o contrário, hoje o cutiano agrega muito ao rodeio ainda mais se os organizadores souberem contratar profissionais de qualidade, a nossa modalidade se iguala ao nível das montarias em touros.

RM. Vale a pena ser competidor?

PH. Vale, só tem que saber administrar a carreira, ir investindo o dinheiro que ganha com os prêmios. Quando se trabalha com o que gosta tudo vale a pena.

RM. Paulo, há quanto tempo você está atuando no rodeio? E quais são os prêmios conquistados até hoje?

PH.  Estou neste meio há 12 anos, já ganhei 1 carro, 7 motos, além dos prêmios em dinheiro. Algumas das cidades que já fui campeão são: Jales-SP, Americana-SP, Fernandópolis-SP, Cosmorama-SP, Orlândia-SP, Palestina-SP, ExpoCláudio-MG, Bi-Campeão da ExpoLoanda-PR e o mais atual, Campeão da 60ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos-SP.

RM. Qual o maior susto que você já passou dentro de uma arena?

PH. Já aconteceram alguns acidentes, quebrei o braço em um rodeio na cidade de Poloni, trinquei o rosto aqui na minha cidade em Bálsamo e perdi a ponta do meu dedo anelar esquerdo em um rodeio na cidade de Pacaembu-SP neste ano. Fiquei cinco meses parado,  o primeiro rodeio depois do acidente foi Barretos.

 

RM. Qual seu projeto ou sonho para o futuro?

PH. Nunca fui de fazer planos, o rodeio é uma coisa que não da pra você prever. Neste momento quero aproveitar o meu título de campeão da 60ª Festa do Peão de Barretos e tentar melhorar a cada dia. Sonho,  não sei, mas para me sentir realizado na minha carreira profissional, gostaria de ganhar dois rodeios que faltam no meu currículo, o rodeio de Colorado-PR e o da minha cidade Bálsamo-SP.

RM. Deixa um recado para o pessoal que está entrando para o universo das montarias em cavalos.

PH. O que não pode faltar é vontade e determinação. No começo é difícil conseguir convite nos rodeios, a gente cai muitas vezes, mas supera com vontade e determinação. Superar tudo é se tornar peão.

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