A história vitoriosa de Cláudio Marcelino vice-campeão do The American

O brasileiro Cláudio Marcelino, de Ribeirão dos Índios (SP) esteve muito perto de colocar a mão em uma bolada de dinheiro no último final de semana em Arlington no Texas,  região metropolitana de Dallas nos EUA.

Foto: André Silva  

Foto: André Silva

Cláudio Marcelino ficou em segundo lugar no The American, rodeio que distribui dois milhões de dólares em um só dia, por isso ganhou o apelido de “O mais rico rodeio de um só dia”.

A viagem de Cláudio Marcelino até lá merece sempre ser bem explicada. O The American surgiu em 2014, um evento que reúne os melhores competidores de todas as modalidades de diversos campeonatos e países. Um rodeio aberto, sem bandeira e ou campeonato.

Um evento que foi se expandindo, crescendo, e fazendo parcerias, logo depois de sua segunda edição o evento chegou ao Brasil, através da parceira com a Liga Nacional de Rodeio (LNR).

E ficou definido, no primeiro ano, que o campeão e vice da LNR iria para o The American, para a semifinal que acontece dias antes em Fort Worth – sempre a vaga brasileira será para a semifinal –  assim como todas as dezenas de classificatória.

Sendo assim, a primeira participação brasileira, através da parceria com a LNR, foi em 2016, com Ramon de Lima campeão e Edevaldo Ferreira, vice. Eles foram antes, para os EUA, treinaram, mas não conseguiram passar pela ‘difícil’ semifinal.

A parceria com a LNR se expandiu para o ano seguinte e desta vez foi possível além de levar competidor em touros, foi uma turma boa de laçadores da modalidade Laço Individual e, ainda foram competidoras dos Três Tambores. Infelizmente eles não conseguiram passar pelo Slack, uma eliminatória antes da semifinal.

Para este ano, as vagas da LNR foram definidas da seguinte forma. O campeão da LNR e a maior nota da final da LNR em Barretos. Por coincidência, a maior nota foi do vice-campeão, Anderson Oliveira que não conseguiu o visto, a vaga foi preenchida por Ramon de Lima.

A semifinal deste ano foi mais difícil do que ano passado. Pois, 65 competidores montaram em um slack pela manhã, só as paradas voltaram para a noite, quando começava oficialmente a semifinal.

Isso foi na quarta-feira (15), e ainda os competidores foram divididos em duas turmas, ou seja, para ir para a final da semifinal não teriam como errar. Cair, era dizer adeus. Infelizmente isso aconteceu com Ramon de Lima, campeão da LNR em 2015.

Cláudio Marcelino, venceu seu animal no Slack, venceu seu animal na segunda turma, avançou para a final e venceu de novo, com a somatória das três notas, foi campeão da semifinal.

Parece que, por ser uma semifinal, era algo fácil, mas quando você olha para o retrovisor, e vê que o tricampeão mundial pela PBR, Silvano Alves, ficou de fora, o tetra campeão mundial da PRCA J. W. Harris ficou para trás, entre tantos outros bons nomes que lá estava, já percebíamos que Marcelino já havia feito história.

Mas, sendo um semifinalista classificado para a final, ele estava apto a concorrer ao bônus de um milhão de dólares.

– Eu não imaginava que ia chegar tão perto deste milhão, mas estou muito feliz com tudo que aconteceu aqui – Disse Cláudio Marcelino

Eram duas montarias, porém, com touros mais difíceis e adversários muito mais qualificados, como J. B. Mauney, Kaique Pacheco, Mike Lee, Cooper Davis, João Ricardo, Guilherme Marchi, Eduardo Aparecido, enfim não precisa citar todos, só tinha fera.

– Por incrível que pareça, estar do lado dos caras que só via pela televisão, fiquei feliz, mas não tive pressão nenhuma, fiz o que tinha que fazer, vencer meus touros – Explica

Abalar? Que nada Marcelino foi para cima dos touros, só era quatro vagas na final, ele conquistou a última vaga, ser último ou ser primeiro não importava, pois na final zerava ponto e lá estava ele, pronto outra vez para fazer o trabalho, mais um touro vencido.

Por um instante ele estava apto a repartir o milhão com o campeão da Sela Americana e dos Três Tambores, mas Sage Kimzey (uma história que merece ser contada a parte) acabou superando Cláudio Marcelino por meio ponto.

Ruim? Nunca, Marcelino fez história, pois sair do Brasil, se adaptar rápido e fazer um final semana perfeito, ficar em segundo lugar em um rodeio com os melhores competidores do mundo não é fácil fazer, e ele fez, não caiu de nenhum touro, faturou quase 100 mil reais em cinco dias e, tem um futuro brilhante por lá.

A imprensa e os especialistas em rodeio, lá nos EUA, estão fazendo comparações dele como Silvano Alves, e estão todos meio impressionados com o seu desempenho.

– Ser comparado com um cara igual o Silvano, é uma honra, estou surpreso com minha adaptação, eu geralmente sou meio ansioso, mas estou me adaptando bem, em um tempo curto, estou calmo, isso me deixa feliz e confiante para continuar minha trajetória aqui na América – Finaliza Marcelino.

De fato, os competidores que já montaram ou montam nos EUA, sabem que esta adaptação é muito complicada, varia de estilo para estilo, de situação para situação e, vai ser difícil outro competidor que monta no Brasil ir para o The American e fazer o que o Cláudio Marcelino fez, não por falta de capacidade, e sim, por conseguir se adaptar rápido. Parabéns Cláudio Marcelino, você foi um herói, assim como todos os brasileiros que vivem e tentam a vida na América, lá não é só um mar de dólares, há muita dificuldade.

O Brasil já venceu esta competição na modalidade touros duas vezes, Silvano Alves em 2015, João Ricardo Vieira, 2016 e agora Cláudio Marcelino vice-campeão em 2017. Junior Nogueira, do Laço em Dupla foi vice-campeão duas vezes, 2014 e 2015, este ano ficou em terceiro, mas só ganham ,dólares o primeiro lugar ($100mil) e o segundo ($25mil). O Bônus de um milhão é para quem veio da semifinal, os convidados (10) só concorrem aos 100 mil.

Outra informação importante é que, embora o The American, seja um rodeio sem bandeira, ele é um evento amigo da PBR, tanto que a arena usa para o Iron Cowboy no sábado é a mesmo do The American no domingo, e a PBR usa este evento com uma etapa de acesso, por ser segundo lugar, Cláudio Marcelino ganhou 50 pontos e uma posição no ranking, agora ele é 19º no ranking mundial da PBR.

Por Eugênio Jose – MTB: 67.231/SP

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