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PAY PER VIEW, GERAÇÃO NUTELLA E OS ZÉ BOTINHAS

Ninguém está inventando a roda.


Pagar para assistir uma transmissão de rodeio já é coisa antiga. Aconteceu em 2005, quando da ocasião da comemoração dos 50 anos da Festa do Peão de Barretos, quando uma transmissão cobrada foi gerada pela TV Rodeio e distribuída pelo canal Premier Rural da Globosat (Rede Globo), para a NET e SKY.


E grandes transmissões também aconteceram bem antes, como foi o caso dos anos 96 e 97, quando transmitimos o rodeio de Barretos para o canal CMT – COUNTRY MUSIC TELEVISION, inclusive com imagens ao vivo de um Helicóptero, cuja apresentação dividi com meu amigo Esnar Ribeiro.


Até DVD com som 5.1 foi produzido para que o fã do rodeio pudesse vivenciar em casa todo o ambiente sonoro que acontece dentro dos bretes.
Hoje, com a proliferação de transmissões ao vivo dos rodeios pela internet, criou-se a “geração Nutella”, aquele bando de “Zé Botinhas” que se escondem atrás de uma tela de celular, computador, etc, sempre criticando todo mundo, profissionais, transmissão, animais, etc, como se fossem profundos conhecedores do esporte rodeio.

Certamente poucos, na vida, já sentiram o cheiro da merda do touro ou cavalo. Muitos devem até ter nojo de terra. 
Os “Zé Botinhas” deveriam ir mais ao rodeio e ver pouca internet. Deveriam viver a experiência de sentar na arquibancada, sentir a agressão do alto volume sonoro que o locutor te impõe a ouvir, pagar R$ 7,00 por uma água, usar dignamente um fétido banheiro, sentir-se confortável ao pagar o alto valor do ingresso e do estacionamento, sentir-se desrespeitado com relação ao horário – quando o promotor diz que vai começar em determinado horário, mas atrasa mais de uma hora, e assim por diante. 


Essa geração Nutella desconhece por completo a história do rodeio e de profissionais que fizeram esse esporte crescer. Desconhecem a dificuldade que foi colocar o rodeio na televisão brasileira e mantê-lo por mais de 25 anos. Desconhecem a dificuldade de levar até eles, no seu mundinho confortável em casa, as transmissões ao vivo com qualidade, e muitas vezes, com péssima qualidade de internet oferecida pelo contratante.

Desconhecem o enorme investimento financeiro para que isso ocorra, sem que nenhuma das pontas arquem com o custo: nem quem assiste, nem quem autoriza a transmissão – no caso o promotor do evento, ficando o custo só para quem gera as imagens, no caso, nós.


Dizer, por exemplo, para um desses “Zé Botinhas” que antigamente, quando estávamos implantando o rodeio na tv, as montarias não tinham notas “cantadas” e que o campeão só era conhecido quando o locutor anunciava seu nome na pista, certamente vai ser considerado uma boa piada…


Pois é, poucos sabem da evolução desse esporte, mas discutem hoje como se fossem profundos conhecedores.


Daqui para frente, alguns rodeios no Brasil só serão vistos pelo sistema Pay Per View e, em breve, muitos outros só para assinantes de um aplicativo.
Em troca, a certeza de estar proporcionando uma transmissão de excelente qualidade, com apresentadores, repórteres, detalhes de inúmeras câmeras, qualidade em HD Full, sonorização perfeita, apostas gratuitas que gerarão uma grande quantidade em prêmios e muitas outras novidades que virão pela frente.


Com um recurso extra oriundos do Pay Per View, os organizadores prometem reinvestirem dentro do próprio rodeio, para cada vez mais melhorarem o nível de profissionais e animais. 


É a roda girando.


É claro que o Brasil Rural TV continuará disponibilizando dezenas de outros rodeios ao vivo gratuitamente para todos os fãs dentro do aplicativo.


É claro que os “Zé Botinhas ” vão continuar criticando…

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