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Em menos de um ano competindo nos EUA, ele ocupa a 4ª posição do ranking mundial.

O entrevistado desta semana é Eduardo Aparecido. Um menino simples, que de mansinho  chegou onde todo competidor gostaria de estar, entre os melhores do mundo.

Com apenas 22 anos, o menino que sempre trabalhou em fazenda seguiu para os Estados Unidos em busca de um sonho, montar no campeonato mundial. Talvez nem ele mesmo imaginasse que chegaria tão longe.

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RM. Eduardo como tudo começou?

EA: Eu assistia muito rodeio pela televisão, aí um dia falei: vou começar a montar em boi.  Eu esperava minha mãe e meu pai ir para a cidade, daí eu fechava os bezerros e montava escondido, foi assim que eu comecei. Até que contei para eles, eles concordaram. Montei uns três meses na fazenda que eu trabalhava, no começo do ano fui para o rodeio e entrei na final, pensei: vou continuar montando mesmo. No ano que comecei a montar, eu tinha 16 anos, dos 5 rodeio que eu montei entrei em 3 finais, em um desses eu ganhei o campeão. Nesse primeiro ano ganhei uma moto. Mas o melhor ano para mim, foi o terceiro ano de montaria, ganhei 6 motos.

RM. Quais os títulos que você já ganhou?
EA: Ganhei São José do Rio Preto em 2012, Divinópolis, Sumaré entre outros.

RM. Como você começou a  competir na PBR?
EA: Comecei em 2010, em 2011, fui vice-campeão do campeonato, em  2012, comecei liderando o campeonato, por conta disso fui convidado a participar da final mundial em Las Vegas (NV). Chegando lá caí no primeiro dia, no segundo dia parei, fiquei em 16º. Daí não montei mais, vim embora. Mas com muita vontade de voltar no ano seguinte para participar do campeonato mundial pensei: Ano que vem eu volto para competir aqui. E fui,  só que eu não tinha pontos para montar nos Top 40, montei nos· Touring Pro, divisão de acesso, consegui subir e graças a Deus to lá até hoje.

RM. Como foi chegar nos EUA?
EA: No começo foi difícil, mas eu tinha que me adaptar, os companheiros me ajudaram muito. Quando cheguei lá fiquei uns 15, 20 dias só andando de carro indo para os rodeios. Logo faltaram uns competidores no rodeio doBuilt Ford Toughe eu fui chamado, entrei na final, fiz pontos e isso me ajudou muito a fazer o corte e subir para os Tops.

RM. Você sentiu diferença nos touros?
EA: Os touros dos EUA são mais puladores, para quem gosta de montar em boi pulador lá é o lugar.

RM: Qual a maior dificuldade que você sentiu nos Estados Unidos?
EA: Senti na comida, em saber falar, conhecer os touros. Aqui no Brasil você pergunta sobre o touro e todo mundo fala, lá não. Lá eu só sabia o número do boi que eu ia montar  mais nada. No rodeio do Touring Pro, senti muita dificuldade, mas logo que subi para o Built Ford Tough havia muitos brasileiros e eles me ajudaram muito com os touros. Antes de subir para os Tops, pensei em vir embora, mas depois desisti. Hoje, enquanto eu tiver forças para ficar nos EUA é lá que eu quero ficar para competir.

RM. Aqui no Brasil qual o melhor touro que você montou?
EA: O Insano do Paulo Emílio

RM. E nos EUA?
EA: O Asteroid, esse eu montei mais não parei.

RM. Qual o touro que você não montaria?
EA: Aqui no Brasil o Agressivo do Paulo Emílio e nos EUA o Bushwacker

RM: Se você pudesse escolher um touro para montar aqui no Brasil, qual escolheria?
EA: O Linha do Tempo do Euripinho Sollo.
entrevistaespecial_2eduardoRM. Você esperava chegar onde chegou?
EA: Não esperava chegar nunca aonde eu cheguei, não esperava montar no campeonato mundial e ainda estar entre os 5 melhores do mundo. Às vezes quando caio do boi fico triste, mas já levanto a cabeça e vejo tudo de bom que  aconteceu e está acontecendo na minha vida. Hoje estou nos Estados Unidos, tenho chances de ser campeão mundial e de ser Rookie Of The Year, então eu só tenho que agradecer a Deus.

RM. Se você pudesse mudar o rodeio, o que mudaria?
EA: Eu ia melhorar o lado dos peões. Hoje nada é favorável aos competidores. Nos Estados Unidos os competidores são muito valorizados, aqui no Brasil o valor são nos shows. Os organizadores só se preocupam com os shows.  Aqui no fundo dos bretes é tão escuro que mal dá para mexer com as traias, lá nos Estados Unidos existe vestiário para os competidores, lá se eu quiser deixar a minha traia e só pegar no último dia do rodeio eu posso deixar que ela vai estar lá do mesmo jeito que eu deixei. Aqui não.

RM. Planos?
EA: Quero que Deus só me dê às coisas que ELE achar que eu mereço. Se ELE achar que eu to preparado para ser campeão mundial que seja feita a vontade dele, se ELE não achar que é hora, vou batalhar para que nos outros anos possa ser.

RM. Você pensa em voltar competir no Brasil?
EA: Não, Brasil só para matar a saudade da família.  Enquanto eu puder competir nos Estados Unidos e lá que eu quero ficar.

RM. Você treina para competir?
EA: Aqui no Brasil treino nos touros, nos EUA só na academia.

RM. Eduardo você  acha que os americanos gostam dos brasileiros?
EA: Não gostam muito não, eles não aceitam que nós brasileiros somos os melhores.
entrevistaespecial_1eduardoRM. Por que você acha que aqui no Brasil não se cria Ídolos no rodeio?
EA: Porque aqui o público quer só saber de show, se tem show bom lotam o rodeio. Lá nos Estados Unidos o público gosta mesmo é do rodeio, se o rodeio foi anunciado que começa 12h dia, quando é 11h já está lotado.

RM. Qual o seu ídolo no rodeio?
EA: Silvano Alves, para mim ele é o melhor do mundo.

RM. Você se inspirou em alguém no começo da carreira?
EA: Eu via muito Adriano Moraes, Guilherme Marchi pela TV, eu falava que queria ser igual a eles e olha só, hoje eu participo dos mesmos rodeios que eles.

RM. Uma frase para os que estão começando a carreira.
EA: Se você tem um sonho, lute. Na vida tem as dificuldades, temos queEu coloquei na minha cabeça que queria ser como eles, batalhei muito. No começo foi muito difícil, eu trabalhava em uma fazenda e tinha que cumprir com minhas obrigações. Eu ainda não realizei todos os meus sonhos, mas tenho fé que vou conseguir.

RM. Qual sonho?
EA: Eu tinha o sonho de ser campeão brasileiro pela PBR, ainda não deu. Mas hoje eu quero o  título de campeão mundial e o de revelação do ano.

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