Rodeio Nacional

Rodeio é destaque no G1

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Tião Procópio. Foto: G1

Peões se profissionalizam e rodeios de touros se expandem pelo interior
Um esporte fundamentalmente de força, equilíbrio e precisão. O rodeio de touros, trazido para o Brasil há 35 anos, levou os atletas do país a serem reconhecidos mundialmente e, com isso, conquistarem à admiração de centenas de fãs. Um mercado em expansão e que faz de algumas pessoas peças centrais para a evolução do esporte. Uma delas é Sebastião Procópio, juiz e organizador das competições.
Tião Procópio, como é chamado, é responsável pela organização do rodeio da 44ª ExpoParanavaí, realizada no noroeste do estado, e trará 35 peões para os três dias de evento, 50 touros e 23 cavalos. Ele é o precursor do esporte no país e chegou a inspirar o personagem de Murilo Benício na novela América, da Rede Globo. Tião se mudou para os Estados Unidos na década de 1970 para entender e aprender a praticar o esporte. Foi para a terra do Tia Sam quando apena o rodeio de cavalo importava no Brasil.

“Nesse período, os rodeios realizados nos Estados Unidos eram divididos em várias categorias profissionais, era muito desenvolvido. Depois de aprender e pegar bastante experiência voltei para o Brasil e na bagagem trouxe essa nova modalidade”, conta o jurado de rodeio. “Agora, o rodeio em touros é imbatível, tem mais rodeio de touro do que de cavalo”, acrescenta.

Em três décadas houve tantas mudanças, que Tião nunca esquece do primeiro rodeio que participou. Organizado em Barretos, ele foi o campeão, e como prêmio ganhou uma televisão. Algo bem diferente de agora, onde os peões recebem prêmios em dinheiro.  “Na época, o peão do rodeio de cavalo ganhou um carro e eu fiquei com uma TV 14 polegadas. Isso agora mudou bastante”, brinca. “Tem peão que é milionário”, diz.

Além de mudar a premiação, os peões estão mais profissionais. Dos 45 melhores atletas de rodeio do mundo, 15 são brasileiros. “Hoje, o peão de rodeio é um profissional, e os daqui competem no mesmo nível com os profissionais dos Estados Unidos”, argumenta Tião Procópio.

Porém, ser reconhecido não é fácil. De acordo com Tião Procópio os peões precisam seguir uma dieta balanceada, praticar exercícios específicos e ainda treinar cada movimento que será executado na arena. Ou seja, não é mais uma diversão para amadores.

O touro também passa por treinamento rigoroso. Após uma seleção, que leva em consideração a índole e o condicionamento físico, o animal é capacitado para pular e correr desde os dois anos. Além de receber cuidados veterinários específicos. Na fazenda faz trotes em espaços de areia, nada em represa e come ração balanceada. Já na arena, os jurados avaliam o coice, o tipo e a intensidade de pulo, movimento de rotação e velocidade.

“O animal é muito bem tratado, cuidado. Se ele não estivesse no rodeio, alguém com certeza estaria comendo a carne dele. Porque o touro que vem para o rodeio é um animal mestiço, não é utilizado para a reprodução”, enfatiza o jurado de rodeios.

Uma paixão compreendida por poucos. “Esse esporte tem uma ligação com o campo. Por isso, muita gente ainda não compreende as regras, o funcionamento. Rodeio é como o futebol, todos os peões são humildes, foram criados naquele ambiente e sonham em serem grandes profissionais”, detalha Tião.

E como todo profissional o desafio é montar no touro mais difícil de ser batido. Atualmente, o animal que vem desafiando os peões é o boi chamado de Cangaço. Arrematado este ano em um leilão por R$ 224 mil, Cangaço será a principal atração do último dia do rodeio da ExpoParanavaí. O touro chegará a cidade apenas na sexta-feira (20) e participará de apenas uma prova.

“Fica difícil as pessoas gostarem de um esporte que não conhecem. É a mesma relação que tenho com o skate ou surf, por exemplo. Como não conheço, não tenho interesse. O rodeio de touro é um esporte fascinante”, conclui Tião Procópio.

Por: Luciane Cordeiro / G1

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